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Pitty

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Rádio Cidade: Esse é o sétimo DVD da sua carreira. Mais um que conta com uma apresentação ao vivo e um documentário, bastidores e muito mais... Além das músicas do último trabalho, o "Sete Vidas", qual é o grande diferencial que os fãs vão poder conferir nesse novo projeto?

Pitty: Acredito que são duas coisas. Essa é a turnê mais trabalhada que eu já fiz e me arrisco a dizer que é a minha melhor em termos de coesão de repertório, estética, telão... Fiz tudo com muito cuidado para montar esse show e gostei muito do resultado. Então eu não poderia deixar de registrar. Até mesmo pela banda... Tem mais dois membros no grupo, né? Isso muda tudo. E um outro diferencial é o documentário. Particularmente, como público, eu gosto bastante de ver o show de uma banda. Mas eu gosto muito de ver também como a banda passa o som, como se prepara, até como musicista mesmo... O documentário tem essa característica, muito íntima. Eu queria que as pessoas se sentissem na turnê, na estrada com a gente. Então elas acompanham todas as coisas legais que acontecem. A escolha do Otavio Sousa, que é um amigo e dirigiu o doc, tem muito a ver com isso. Ele é muito próximo, muito "de dentro". E a ideia era que a gente não sentisse a câmera, que fosse invisível. Ele trouxe essa sensação para que a gente ficasse espontâneo e à vontade.

Rádio Cidade: Fale um pouco sobre a escolha de "Dê Um Rolê" para ser o primeiro single deste projeto e da sua relação com os Novos Baianos. É verdade que essa música não estava no roteiro da turnê? Foi uma única execução?

Pitty: Foi um lance muito louco! Uma coisa de acaso. A gente reconheceu que essa música pediu passagem. Ela não estava no repertório da turnê. Tiramos para um programa de TV e rolou uma única vez. Mas nesse dia, a gente falou que estava a fim de fazer uma coisa diferente e, pronto, tocamos. Foi uma única vez na turnê inteira. Aí, vendo o material depois, para editar e escolher o que ia entrar ou não, vimos que aquilo ficou muito especial. O áudio de "Dê Um Rolê", a performance, o que estava documentado... Ela falou "sou eu!". A música acabou norteando muito do DVD. Sobre Novos Baianos, eu ouço desde que eu era pequena, por influência dos meus pais, e também ouvi muito na adolecência, pesquisando música brasileira. Sempre fui muito fã da banda e sempre tive muita vontade de tocar essa música. Ela veio na hora dela.

Rádio Cidade: Vocês escolheram o dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock, para o lançamento do novo trabalho. Para você, qual é a importância dessa data no calendário - principalmente o brasileiro - levando em consideração que hoje o rock não se enquadra como um gênero que nós podemos chamar de "popular"? Outra: A gente sabe que você está "de molho" - no melhor sentido da expressão -, mas como a Pitty vai comemorar o Dia Mundial do Rock esse ano?

Pitty: Olha, vou te falar a real... Eu não sei qual é a importância dessa data. Eu só sei que eu acho divertido comemorar. Acho divertido que ela exista. E acho bacana também um dia para a gente falar de rock, compartilhar coisas de rock. Acho uma data em que a gente deve refletir sobre os novos caminhos, pensar mesmo sobre eles. Mais ainda justamente no Brasil, onde ele não é popular. E a minha maior celebração para esse Dia do Rock é botar esse DVD na rua. É muito massa poder colocar um rock novo no mundo no Dia do Rock!

Rádio Cidade: Ainda sobre Dia Mundial do Rock, quais são as grandes influências que você enxerga hoje na cena? E o que vai ser do futuro do gênero? A gente tem aí nomes como Black Sabbath e Aerosmith anunciando a aposentadoria... Como você vê o atual momento e, principalmente, o futuro do rock?

Pitty: É bem difícil... Eu acho que, bom, Black Sabbath e Aerosmith se aposentando... Eles duraram bastante, né? Têm uma obra incrível! Serviços prestados à humanidade e bem cumpridos. Eu acho que agora tem que vir o novo! Eu não sei qual vai ser esse novo, mas as coisas que eu gosto de ouvir são justamente aquelas que me tiram desse lugar comum, do classicão. A não ser que seja um classicão mega reinventado, com tempero novo. Tem uma banda nova do Sergipe chamada Baggios. Eu acho eles super Black Sabbath, só que atuais. Eles cantam em português, tem um sotaque diferente... Saem do eixo Rio-São Paulo... Para mim tem um frescor ali, sabe? O Far From Alaska, que é uma banda de Natal/RN... Eles tem uma coisa do rock pesado, mas também tem esse frescor, uma novidade. Eu acho e gosto dessas coisas.

Rádio Cidade: Como você assimila ser a grande voz feminina dentro do rock brasileiro?

Pitty: Eu não sei... Eu não penso muito nisso. Eu só penso quando alguém me pergunta (risos). Eu vou vivendo, acordo, faço minhas coisas, penso em fazer minha arte, em criar meus discos... De coração. Parece uma resposta supostamente "cool", despretensiosa, mas é real. Não é uma coisa que ocupa espaço. Especialmente na hora de fazer arte se não você começa a entrar em uma nóia, numa coisa que não tem a ver.



Rádio Cidade: Agora voltando a falar do novo DVD, a Deck está preparando um formato inédito no Brasil para o lançamento. Todo o conteúdo - o show, os extras, o documentário - vai poder ser comprado em uma versão digital, para ser assistido numa plataforma criada pela gravadora. Você que sempre foi uma entusiasta do vinil, fala pra gente sobre esse lançamento e sobre a sua relação com as novas tecnologias dentro do meio musical.

Pitty: Eu tenho esses dois mundos. Ao mesmo tempo que eu amo muito o vinil, eu também ouço bastante coisa em streaming e eu sou totalmente a favor da tecnologia. Até porque eu acho que, especialmente lidando hoje em dia com cultura, a gente não pode fugir disso. Tem que reconhecer que essas plataformas existem e que as pessoas consomem cultura nelas. Elas só vão crescer. Eu acho que brigar com isso é burrice! Pra mim, é mais interessante fazer parte disso e estar sempre, na verdade, um passo além. Eu estou sempre tentando imaginar qual vai ser a próxima forma que as pessoas vão ouvir música. E o legal é que a Deck pensa muito parecido. Nesse caso, do DVD, é uma demanda que existe e pintou essa ideia. Nessa plataforma, inédita, você vai ter acesso a todo o conteúdo em Full HD, que é uma qualidade superior que o DVD, e vai poder ver no celular, tablet.. O Radiohead fez algo parecido lá fora e foi muito legal. A gente queria muito experimentar esse tipo de formato no Brasil. Acredito que a galera vai curtir.

Rádio Cidade: Para fechar: evidentemente que a causa é mais que nobre, mas você pode mandar um recado para os ouvintes da rádio, seus fãs, que estão sentindo a sua falta nos palcos? É óbvio que o DVD vai ser uma excelente forma de "matar as saudades", mas todo mundo quer ouvir como você está sentindo nesse momento tão especial da sua vida!

Pitty: Ah, pois é... A saudade é grande daqui também! E vou te falar: lançar esse DVD, nesse momento... Esse foi um dos motivos que me deu mais vontade de fazer agora. Porque eu também não ia aguentar ficar "longe" por tanto tempo. É uma forma de eu me sentir perto das pessoas que curtem o meu som e tudo. E, bom, eu estou ótima! Super feliz pela chegada desses "dois filhos", digamos assim, o baby e o DVD. E a saudade está enorme! Logo mais a gente vai se ver e vai ser uma volta linda. Recheada de novas vivências.



Por Fernando Amaral
[jul/2016]


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